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COMPORTAMENTO DO MERCADO DE CELULOSE EM 2014

Fitch espera preços de fibra curta para patamares ainda mais baixos do que em 2013

"Pode haver uma correção (de preços), mas nada parecido com o 'desastre' anunciado anteriormente", diz o vice-presidente da Stora Enso

“A Fitch também espera que mais de 4 milhões de toneladas por ano (tpa) de capacidade de produção de celulose de fibra curta entrem no mercado em 2014 e 2015”

A Fitch espera que os fundamentos do mercado de celulose enfraqueçam no segundo semestre de 2014, pressionando os preços de fibra curta para patamares ainda mais baixos do que os reportados em 2013. “Os preços devem continuar reprimidos em 2015”, disse a agência de risco em relatório.

A Fitch também espera que mais de 4 milhões de toneladas por ano (tpa) de capacidade de produção de celulose de fibra curta entrem no mercado em 2014 e 2015, à medida que os seguintes projetos entrem em operação: fábrica da Suzano no Maranhão; joint venture Montes del Plata, da Arauco com a Stora Enso Oyj e fábrica Guaíba, da CMPC. “Estes cinco projetos aumentarão a oferta em mais de 11% em três anos, em um mercado onde a demanda tem aumentado menos de 2% ao ano”, apontou.

Queda de preços

A agência de avaliação Fitch acredita em preços médios listados da celulose kraft branqueada de eucalipto (BEKP) na Europa Ocidental em torno de US$ 760 por tonelada (t) em 2014, uma redução em relação aos US$ 790/t de 2013. Ao contrário da celulose BEKP de fibra curta, as condições para os produtores de celulose de fibra longa continuam favoráveis, devido à ausência de novos projetos.

O preço listado médio da celulose de fibra longa (pinus radiata) no Chile deverá aumentar para cerca de US$ 875/t em 2014, após atingir a média de US$ 840/t em 2013.

Os preços da BEKP na China atingiram a média de US$ 660/t em 2013, enquanto os preços da celulose de fibra longa de pinus radiata do Chile ficaram em US$ 680/t, em média.

Também espera que os preços da BEKP na China fiquem em torno de US$ 640/t em 2014, enquanto os preços da celulose radiata devem aumentar para US$ 700/t. Em contraste com os preços da Europa, listados antes de descontos de cerca de 20%, os preços listados na China têm pouco ou nenhum desconto.

Para 2015, os preços devem ficar em torno de US$ 10/t mais baixos, uma vez que pressões sobre os preços devem permanecer ao longo dos doze meses, na ausência de eventos que impactem a oferta.

China

Para a Fitch, a China não deve ter papel importante no equilíbrio da equação oferta e demanda até 2015, devido à taxa de crescimento mais lenta dos produtos de celulose importados. Segundo o Pulp Watch, a demanda chinesa por celulose branqueada importada aumentou 380 mil toneladas em 2013, para 13 milhões de toneladas, de 12,7 milhões de toneladas no ano anterior. Este aumento eqüivale a menos de 0,7% dos 56 milhões de tpa do mercado global de celulose.

O crescimento perde importância se comparado com anos anteriores, quando o montante da celulose importada pela China aumentou 1,6 milhão de toneladas (2012), 2,7 milhões de toneladas (2011), 2,3 milhões de toneladas (2010), 3,4 milhões de toneladas (2009) e 1,2 milhão de toneladas (2008).

Desaquecimento

“O desaquecimento das importações chinesas de celulose coincide com a transição do país para uma economia direcionada ao consumo, de uma baseada em pesados investimentos”, destacou relatório.

Segundo a agência, apesar de a redução da taxa de crescimento da demanda da China não permitir que o mercado se equilibre rapidamente, a produção doméstica chinesa, de alto custo, funcionará como um limite contra uma redução ainda maior dos preços.

Ratings

Os ratings atribuídos pela Fitch às companhias cíclicas buscam proporcionar estabilidade ao longo do ciclo dos preços, a menos que uma alteração nos fundamentos da qualidade do crédito tenha ocorrido. A alavancagem está alta em relação aos patamares históricos para as companhias chilenas CMPC (BBB+) e Arauco (BBB) devido à confluência dos fracos preços da celulose com agressivos programas de investimentos. A perspectiva dos Ratings das duas companhias é estável.

Sobre as empresas brasileiras, a Fitch elevou recentemente a Fibria para ‘BBB-‘ devido à estratégia disciplinada da companhia em relação à redução da dívida nos últimos dois anos, apesar das condições de mercado relativamente fracas.

A perspectiva dos ratings da Suzano foi revisada para Positiva, de Estável, em 2013. A companhia encerrou setembro de 2013 com US$ 3,8 bilhões de dívida líquida.

A Klabin é classificada em ‘BBB-‘. A Fitch revisou a Perspectiva dos Ratings da companhia para Negativa, de Estável, durante 2013. A revisão da perspectiva refletiu à decisão da companhia de proceder à construção de uma fábrica de celulose, chamada Puma, que terá produção anual de 1,5 milhão de toneladas, das quais 400.000 serão celulose de fibra longa.

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