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Câmbio leva Suzano a um prejuízo de R$ 959 milhões no 3º trimestre

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A variação da taxa cambial refletiu de forma negativa no resultado líquido da Suzano Papel e Celulose no terceiro trimestre deste ano e a empresa encerrou o período com prejuízo de R$ 959 milhões. Os números foram apresentados, na quinta-feira da semana passada (12/11), pela direção da empresa, em teleconferência com jornalistas.

A valorização do dólar no período de julho a setembro afetou, especialmente, as despesas financeiras, que tem, atualmente, US$ 2,8 bilhões em dívidas atreladas à moeda norte-americana. O CEO da companhia, Walter Schalka, explicou que cada R$ 0,10 de variação cambial tem um impacto de R$ 280 milhões. “Tivemos US$ 0,87 de variação nesse trimestre e isso impactou fortemente. O resultado líquido reflete a variação pontual do câmbio”, disse.

As despesas acabaram refletindo no resultado de um período marcado, de acordo com a empresa, por aumento das exportações de papel e demanda por celulose em ritmo crescente. As vendas de celulose no terceiro trimestre do ano foram de 889 mil toneladas e as de papel totalizaram 335 mil. Nos nove primeiros meses do ano, foram 2,551 milhões de toneladas e 903 mil, respectivamente.

Durante a teleconferência, Schalka minimizou o impacto do prejuízo trimestral, destacando uma geração de caixa operacional de R$ 3 bilhões entre julho e setembro e Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) de R$ 1,48 bilhão, calculado considerando um dólar médio no período de R$ 3,47. “Os resultados são bastante positivos. Considerando que o custo por tonelada subiu 1,2% em nove meses para uma inflação de 9%, demonstra clareza de buscar maior consistência”, garantiu.

Os números mostram também uma redução do nível de endividamento líquido, tanto em reais quanto em dólares. Na moeda brasileira, de dezembro de 2014 até setembro passado, passou de 4,1 vezes para 3 vezes o Ebitda. Na divisa norte-americana, de 3,7 para 2,3 vezes. Walter Schalka informou que a companhia encerrou o que chamou de quinta rodada de refinanciamentos, com ampliação de prazos de pagamento e redução de custo de capital.

Investimentos
Os executivos da Suzano apresentaram alguns pontos do cronograma de investimentos até 2018, que tem como meta a ampliação da capacidade produtiva total da empresa para 5,1 milhões de toneladas. No plano, chamado de 5.1, os aportes previstos totalizam R$ 1,14 bilhão (R$ 510 milhões em 2016; R$ 585 milhões em 2017; e R$ 45 milhões em 2018).

As unidades de Mucuri (BA) e Imperatriz (MA) passarão por obras para aumentar a eficiência, além de substituição de equipamentos. Ainda está prevista a ampliação dos parques florestais, que terão a distância reduzida em relação às unidades industriais, com arrendamentos e compras de novas áreas. Schalka não informou quanto hectares estão envolvidos nessa operação.

As duas unidades industriais também  receberão um investimento adicional de R$ 425 milhões em novas linhas de produção de bobinas para o segmento de papeis higiênicos (tissue). Cada uma deve ter a capacidade de 60 mil toneladas, com início das operações previsto para até o final de 2017. Só no ano passado, o consumo brasileiro desse tipo de papel somou 800 mil toneladas, de acordo com a Suzano.

O diretor Financeiro e de Relações com Investidores, Marcelo Bacci, disse que os financiamentos para os novos projetos não estão fechados, mas a expectativa é custear metade com capital próprio. “Mesmo com os investimentos, nosso endividamento vai continuar caindo porque vamos continuar gerando caixa em níveis superiores às necessidades desse projeto”, disse ele.

Mercado
Walter Schalka declarou que a empresa está com dificuldades para repasar os recentes aumentos de preços da celulose, mas garantiu, por outro lado, que também não há uma expectativa de redução das cotações internacionais. De acordo com ele, o cenário atual é de que aumento nos preços da celulose de fibra curta (usada para fabricar guardanapos e toalhas de papel) e de redução na celulose de fibra longa, matéria-prima da produção de embalagens, o que tem causado resistência dos compradores, como a China.

“A demanda por celulose da China é frequente e não teve alteração. Mas pela queda de preço e aumento de estoque da fibra longa, há uma pressão dos chineses pela queda nos preços da fibra curta. Não entendemos que as duas coisas precisam ser correlacionadas, não estamos concordando com esta redução de preços e não vemos razão para que isso ocorra”, disse Schalka, para quem ainda não é possível saber como será o comportamento dos preços no ano que vem.

Ainda neste ano, a Suzano coloca no mercado sua celulose de eucalipto do tipo fluff, que é utilizada em produto de higiene como fraldas e absorventes. A linha de produção comporta 95 mil toneladas anuais e é flex, alternada com papel couché. “Já temos clientes homologados (para a celulose). Dependendo da demanda, vamos operar com um ou outro produto até que tenhamos um crescimento gradativo”, afirmou.

No caso do papel, a empresa enfrenta encontra dificuldades no mercado interno, que está enfraquecido. Mesmo assim, a partir de primeiro de fevereiro, os produtos passarão a ter preços entre 23% e 24% maiores. Segundo o executivo, o repasse é fruto da alta da inflação e de uma “análise dos preços internacionais”.

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