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Câmbio e preços garantem 3º trimestre recorde para celulose e papel

Em linhas gerais, o principal motivo para essa correção foi um reposicionamento de investidores locais para ativos mais expostos à atividade no Brasil, após definição do cenário eleitoral

Preços domésticos e internacionais em alta, demanda robusta, custo de produção em queda e câmbio desvalorizado garantiram resultados operacionais recorde para as três maiores companhias de celulose e papel listadas na B3 no terceiro trimestre. Juntas, Suzano Papel e Celulose, Fibria e Klabin tiveram resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) de R$ 6,64 bilhões entre julho e setembro, mais que o dobro do valor registrado um ano antes.

Apesar das marcas históricas e do desempenho que impressionou analistas que cobrem o setor, as ações das três companhias não vivem seu melhor momento em bolsa. Depois da arrancada desde meados do ano passado, os papéis deixaram as máximas para trás e, de julho para cá, mostram desvalorização. A perda mais expressiva, de cerca de 18% entre o início do segundo semestre e hoje, é da Suzano — Fibria e Klabin têm baixas 2% e 3%, respectivamente.

A performance em bolsa, conforme analistas ouvidos pelo Valor, tem menos relação com os resultados e momento das companhias e mais com câmbio e reposicionamento dos investidores, que aproveitaram o novo cenário macroeconômico para realizar ganhos. De R$ 4 no fim de setembro, o dólar hoje caiu para a casa de R$ 3,70. Em nota a clientes, a XP Investimentos destaca que, desde o pico visto em setembro, as ações da Suzano acumulam baixa de 30%.

“Em linhas gerais, o principal motivo para essa correção foi um reposicionamento de investidores locais para ativos mais expostos à atividade no Brasil, após definição do cenário eleitoral”, diz a nota.  Como a casa não vê gatilhos de curto prazo para reversão dessa tendência, a ação de Suzano foi substituída por Vale em sua carteira. Já o Itaú BBA reiterou recomendação de compra (outperform) das ações em relatório de quarta-feira à noite, com preço-alvo de R$ 61 no fim deste ano.

No terceiro trimestre, o câmbio teve novamente duplo efeito nos balanços do setor, impulsionando as receitas, dado o perfil exportador dos produtores, e reduzindo o resultado final, já que a marcação a mercado da dívida em moeda estrangeira gerou perdas, sem efeito caixa, com variação cambial e prejudicou o resultado financeiro. Juntas, Suzano, Klabin e Fibria tiveram lucro líquido de R$ 1,13 bilhão, contra R$ 1,94 bilhão um ano antes.

A receita líquida consolidada, por sua vez, subiu 32%, a R$ 12,6 bilhões, beneficiada por preços superiores da celulose e de papéis, pelo câmbio médio de R$ 3,95 (contra R$ 3,25 um ano antes) e pela maior disponibilidade de celulose e papel para venda. A Fibria deu a partida em agosto do ano passado na segunda linha de produção da unidade de Três Lagoas (MS) e a unidade Puma, da Klabin, passou a operar acima da capacidade instalada neste terceiro trimestre. Na Suzano, a entrada no segmento de tissue (papel para fins sanitários) também ampliou a disponibilidade de produtos para venda.

As cotações da celulose, que não sofreram reajuste no trimestre, permanecem em níveis elevados e vão garantindo aos produtores retorno superior ao verificado nos últimos anos. No trimestre, o preço médio da celulose vendida pela Fibria, em dólares, subiu 22% na comparação anual, para US$ 749 por tonelada (no mercado externo). Na Suzano, a alta foi de 20,2%, para US$ 751 por tonelada. Na Klabin, a maior parte da celulose de fibra curta produzida é vendida no mercado externo por meio de contrato com a Fibria.


Fusão

Entre os investidores, as atenções seguem voltadas à conclusão da operação que vai combinar ativos e bases acionárias de Fibria e Suzano. Se antes a expectativa predominante era a de que a transação pudesse ser fechada ainda em 2018, agora há margem para que a conclusão se dê nas primeiras semanas de 2019.

Ontem, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) deu aval definitivo, sem restrições, para o negócio. A certidão com a decisão formal foi publicada no site da autarquia uma vez que, transcorrido o prazo regulamentar, não houve apresentação de recursos ou avocação.

A Superintendência-Geral do Cade já havia comunicado a aprovação da fusão sem restrições em 11 de outubro. Com isso, a consumação da transação entre as produtoras de celulose passou a depender principalmente do aval da Comissão Europeia. Outra aprovação ainda aguardada é a da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq).

A Suzano protocolou em meados de outubro na autoridade europeia o pedido de análise da transação. Caso o órgão se posicione na primeira fase de análise (fase 1), a decisão poderá ser conhecida em 35 dias úteis. Órgãos reguladores dos Estados Unidos, China e Turquia também aprovaram a operação sem restrições. Após o aval das autoridades antitruste, a Suzano vai listar ADRs (recibos de ações) na Bolsa de Nova York e a expectativa é a de que a transação seja concluída em até 45 dias.

Dividendos

Na quarta-feira à noite, a Fibria anunciou que seu conselho de administração aprovou a distribuição de cerca de R$ 2,8 bilhões em dividendos extraordinários. Caso o pagamento seja aprovado em assembleia de acionistas em 3 de dezembro, destacou em relatório a equipe de análise do Itaú BBA, haverá redução da necessidade de recursos da Suzano pagamento da parcela em dinheiro aos acionistas.

Os analistas Marcos Assumpção, Daniel Sasson e Carlos Eduardo Schmidt lembraram que a Suzano informou que, ao fim de setembro, a parcela a ser paga em dinheiro aos acionistas da Fibria estava em torno de R$ 31 bilhões. Na mesma data, a companhia tinha posição de caixa de R$ 13 bilhões e R$ 9,2 bilhões assegurados em empréstimo-ponte.

Diante disso, a Suzano precisaria de R$ 9 bilhões em recursos adicionais para a operação. Após o potencial pagamento de dividendos, dizem os analistas, essa necessidade de financiamento cairia para cerca de R$ 6 bilhões. “Estimamos que Suzano e Fibria possam gerar entre R$ 2 bilhões e R$ 3 bilhões de caixa no quarto trimestre, reduzindo a necessidade de financiamento para menos de R$ 3 bilhões”, afirmaram.

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