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Biotecnologia avança no setor de celulose

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Quarto maior produtor mundial de celulose, o Brasil mantém essa posição há cinco anos graças aos investimentos em pesquisa e desenvolvimento, especialmente no campo do melhoramento genético do eucalipto, principal matéria prima para a celulose de fibra curta. Já se vão trinta anos desde que o cultivo de eucalipto para produção de celulose e papel passou por uma transformação radical, quando o plantio com sementes cedeu lugar ao de mudas clonadas de espécies selecionadas e melhor adaptadas ao clima e solo brasileiros. Hoje as pesquisas em biotecnologia se ampliaram e as grandes empresas do setor lançaram mão de novas tecnologias para aumentar sua competitividade, como a agricultura de precisão e robôs para monitoramento de florestas.

Caçula do setor no Brasil, a Eldorado Brasil Celulose, empresa controlada pela J&F Investimentos, dona da JBS, opera há dois anos em Três Lagoas (MS) e já é considerada uma das fábricas mais inovadoras do setor no mundo. Fruto de um investimento de R$ 6,2 bilhões, a unidade foi projetada para ter uma matriz energética sustentável, utilizando resíduos do processo produtivo da celulose para produzir toda a energia elétrica que consome. As caldeiras produzem 180 megawatts/hora de energia, sendo que 90 MW/h são consumidos na produção e o restante, comercializado. O controle da operação industrial é feito por sistemas automáticos e informatizados, que checam cada etapa da produção e antecipam possíveis falhas. Projetada para produzir 1,5 milhão de toneladas/ano de celulose, a fábrica já opera a 110% da capacidade e deve fechar 2014 com produção de 1,7 milhão de toneladas – 90% destinados à exportação.

“Somos uma empresa nova, operamos há sete trimestres e ainda estamos em consolidação da proposta estratégica. O plano é chegar a 4 milhões de toneladas de celulose até 2017, e a forma de se chegar lá é a partir da inovação”, diz José Carlos Grubisich, diretor presidente da Eldorado. Com isso, chegará perto da produção da Fibria – maior produtora mundial de celulose, com 4,7 milhões de toneladas em 2013. A expansão da produção, segundo o executivo, se concentrará na unidade de Três Lagos. Considerado um gestor arrojado, Grubisich tem experiência em empresas inovadoras: anteriormente esteve à frente da petroquímica Braskem, onde desenvolveu o chamado plástico verde (polietileno feito a partir da cana-de-açúcar) e da empresa de bioenergia ETH, do grupo Odebrecht.

Antes de chegar à etapa industrial, o processo de pesquisa e desenvolvimento começa nos laboratórios da empresa, na produção das mudas clonais de eucalipto. A Eldorado trabalha com um banco de matrizes e produz mudas por meio de técnicas de reprodução e seleção genética, mas o objetivo da empresa, nos próximos cinco anos, é patentear o primeiro clone próprio. Num horizonte de 15 anos, a meta é patentear o clone geneticamente modificado. “Serão novas variedades de eucalipto, mais produtivas e adaptadas ao clima e ao solo da região de Três Lagoas”, diz Grubisich.

Do laboratório para o campo, o plantio recorre a técnicas de agricultura de precisão e, desde o ano passado, vem utilizando veículos aéreos não tripulados (drones) para monitorar as florestas. “Fomos pioneiros no setor florestal em aplicar essa tecnologia em larga escala. Hoje, já são 98 mil hectares de eucalipto monitorados por imagens fornecidas pelos drones”, afirma. Juntas, as tecnologias já permitem uma produtividade da ordem de 42 metros cúbicos de madeira por hectare/ano, acima da média do setor no Brasil, que é de R$ 38 metros cúbicos/hectare/ano.

Uma das empresas brasileiras mais tradicionais do segmento de papel e celulose, a Klabin está apostando na produção de celulose de fibra longa como estratégia para os próximos anos. A empresa investirá R$ 5,8 milhões em nova fábrica no município de Ortigueira (PR). Prevista para ser inaugurada no primeiro semestre de 2016, a unidade terá capacidade para produzir 1,5 milhão de toneladas de celulose por ano, sendo 1,1 milhão de toneladas de celulose de fibra curta e 400 mil toneladas de celulose de fibra longa. Parte dessa celulose será convertida em fluff, material utilizado na produção de fraldas descartáveis e absorventes.

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