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Ásia: TPPC é primeira vítima da queda da celulose

A Taiwan Pulp & Paper Corp. (TPPC) vai fechar uma fábrica de celulose e encerrar a produção em três máquinas de papéis, retirando do mercado 150 mil toneladas por ano de fibra curta.

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Conforme a empresa, que não informou a data do fechamento, os investimentos necessários para modernizar equipamentos e manter a operação competitiva não se justificam, segundo informação publicada pela consultoria RISI.

A notícia não chegou a surpreender a indústria e analistas, que já vinham indicando a possibilidade de fechamentos de capacidade produtiva na esteira da desvalorização da matéria-prima. Anualmente, têm saído do mercado entre 400 mil toneladas e 800 mil toneladas de celulose de fibra curta, substituídas pela produção de novas fábricas, mais competitivas.

Ao mesmo tempo, a demanda global por celulose de mercado (vendida a terceiros) tem crescido entre 1 milhão e 1,5 milhão de toneladas por ano. Segundo projeção da consultoria Hawkins Wright, neste ano, deve ficar em 62 milhões de toneladas e subir a 67 milhões de toneladas em 2020.

Executivos da Fibria e da Suzano Papel e Celulose, as duas maiores produtoras globais de celulose de eucalipto, indicaram em diferentes ocasiões que as cotações no mercado asiático estavam muito próximas dos custos de determinados produtores da região, o que poderia levar a anúncios de fechamento de capacidades locais e também funcionar como um suporte para os preços.

Em relatório, os analistas do UBS Andreas Bokkenheuser e Marcio Farid avaliaram que a decisão da TPPC parte da expectativa de um período mais longo de sobreoferta no mercado de celulose de fibra curta, “uma vez que capacidades de baixo custo estão sendo adicionadas na América Latina e na Indonésia”.

A taiuanesa, que nasceu estatal e foi privatizada, produz celulose de fibra curta a partir da importação de chips de madeira, contaram os analistas. A matéria-prima alimenta duas linhas de produção na fábrica de Hsin, que acumula prejuízos de US$ 56 milhões nos últimos cinco anos.

Na unidade, segundo informação da RISI citada pelo UBS, o custo de produção está em torno de US$ 460 – dos quais 60% referentes à matéria-prima, o que a coloca no grupo dos produtores de custo mais alto na Ásia. Para efeito de comparação, no mercado à vista, a celulose de fibra curta iniciou a semana cotada na China a US$ 485,80 a tonelada, segundo o índice de preços Foex.

Para os analistas do UBS, que esperam novos anúncios dessa natureza no curto prazo, o fechamento da fábrica da TPPC não será suficiente para suportar os preços por causa do volume limitado. Ao mesmo tempo, eles afirmaram que esse volume deve ser substituído por celulose competitiva e de baixo custo proveniente das novas fábricas. “A notícia sobre a TPPC está entre as primeiras indicações de declínio da curva de custo caixa de produção e de suporte inferior para os preços”, escreveram.

Valor Econômico