NotíciasReportagem especial

Suzano reduz custos em 40% na operação de tissue em Mogi das Cruzes

Resultado alcançado em seis meses reforça a competitividade da companhia e evidencia os ganhos da combinação entre excelência industrial, inovação e conhecimento do consumidor

A redução de 40% nos custos da operação de tissue da Suzano em Mogi das Cruzes (SP), alcançada em seis meses, ajuda a dimensionar a transformação pela qual passou a unidade desde que foi incorporada à companhia. O resultado reflete uma combinação de competências industriais e comerciais que também orienta a estratégia da empresa para ampliar sua atuação no mercado de bens de consumo.

“Mas nós também aportamos aqui muita excelência operacional e eficiência operacional. Isso nos permitiu fazer com que Mogi ganhasse muita competitividade”, afirmou Pablo Machado, vice-presidente executivo de Bens de Consumo e Estratégia da Suzano, ao comentar os resultados da integração com os negócios brasileiros de papéis de higiene da Kimberly-Clark, adquiridos em 2023.

A operação adquirida trouxe experiência em inovação, qualidade de produtos, construção de marcas e conhecimento do consumidor. A Suzano, por sua vez, contribuiu com sua estrutura industrial, excelência operacional e conhecimento em gestão da cadeia de abastecimento. A combinação ampliou as competências da companhia em uma categoria na qual o desempenho depende tanto da eficiência produtiva quanto da capacidade de atender às demandas do mercado.

INTEGRAÇÃO DE COMPETÊNCIAS E LIDERANÇA NO MERCADO

A Unidade de Bens de Consumo da Suzano começou a ser estruturada em 2017, quando a companhia decidiu avançar na cadeia de valor e entrar no mercado de produtos destinados diretamente ao consumidor. A expansão exigiu o desenvolvimento de competências que iam além da produção industrial, como construção de marcas, relacionamento com o varejo e estruturação de canais de distribuição.

“Você precisa conhecer o consumidor, você precisa construir marca. Você precisa construir canais de distribuição. Você precisa construir relacionamento”, explicou Machado ao abordar as exigências do segmento.

A aquisição da Facepa, em 2018, acelerou esse processo ao incorporar marcas regionais e relações comerciais consolidadas no Norte e no Nordeste. Em 2022, a construção de uma unidade de conversão em Cachoeiro de Itapemirim (ES) ampliou a presença industrial da companhia no Sudeste.

O movimento seguinte foi a aquisição das operações brasileiras de tissue da Kimberly-Clark, em 2023. Antes da transação, a Suzano detinha aproximadamente 12% de participação no mercado brasileiro, enquanto os negócios adquiridos representavam cerca de 9%, segundo Machado. A combinação levou a companhia à liderança do segmento e fortaleceu seu portfólio.

“Em seis anos, nós partimos de um PowerPoint para a liderança no mercado brasileiro”, afirmou o executivo, ao resumir a evolução do negócio desde sua criação.

Além de ampliar a escala e a presença comercial da Suzano, a aquisição incorporou conhecimento em inovação voltada ao consumidor. A complementaridade aproximou a gestão industrial das estratégias de marketing, do posicionamento das marcas e do desenvolvimento de produtos, ampliando a visão da companhia sobre a cadeia de valor.

EFICIÊNCIA OPERACIONAL E INOVAÇÃO

A fábrica de Mogi das Cruzes completa 50 anos em 2026 e permanece como a maior unidade de tissue da Suzano. A longevidade da estrutura industrial convive com o desenvolvimento de novas soluções, apoiado pela atuação conjunta das áreas industriais e de marketing.

“Apesar de ser uma fábrica de 50 anos, é uma fábrica que produz tanta inovação e uma fábrica que tem uma manutenção impecável”, destacou Machado ao falar sobre a unidade.

Entre os produtos desenvolvidos pela companhia estão o papel higiênico Neve Toque das Ondas e o papel-toalha Grand Hotel. Os exemplos ilustram como a estrutura fabril combina experiência acumulada, manutenção dos ativos e desenvolvimento de soluções para o mercado.

A competitividade, no entanto, não se limita ao desempenho dentro da fábrica. A logística tem peso relevante no segmento, já que os produtos de tissue são leves e volumosos, o que eleva os custos de transporte em relação ao peso entregue. A localização das unidades, a eficiência dos modais e a regularidade do abastecimento influenciam a operação e a relação com o varejo.

Na avaliação de Machado, esses fatores podem ser tão relevantes quanto a integração com a produção de celulose. “A sua eficiência em transporte, a sua eficiência em canais e a premiumização de produtos entregam muito mais valor do que você ser, ou não ser integrado na celulose”, afirmou.

O executivo também chamou a atenção para os desafios enfrentados pelos clientes no armazenamento e na exposição dos produtos. Como o tissue ocupa espaço significativo nos estoques e nas gôndolas, a organização do portfólio e a regularidade das entregas podem contribuir para uma operação mais eficiente ao longo da cadeia.

“Nós aqui na Suzano, buscamos combinar o melhor dos dois mundos”, disse Machado, ao se referir à eficiência de uma companhia integrada e à cultura de consumidor, inovação e logística da ponta.

ESTRATÉGIA PARA O NEGÓCIO DE BENS DE CONSUMO

Em julho de 2026, a Suzano e a Kimberly-Clark iniciaram as operações da Arbex, joint venture que reúne negócios globais de tissue. A estrutura conta com 22 fábricas em 17 países, com a Suzano como acionista controladora e a Kimberly-Clark detendo 49% de participação.

A proposta da sociedade é combinar as competências das duas empresas em escala internacional. A Suzano contribui com excelência operacional e conhecimento em supply chain, enquanto a Kimberly-Clark agrega experiência em marcas, canais, inovação e conhecimento do consumidor. A iniciativa busca capturar ganhos de eficiência e ampliar a competitividade das operações.

A Arbex, porém, é uma empresa separada, com gestão própria, e não integra a unidade de bens de consumo brasileira da Suzano. Segundo Machado, ainda há oportunidades de crescimento no mercado nacional antes de uma eventual aproximação entre as estruturas, decisão que caberia aos acionistas.

À frente da Unidade de Bens de Consumo e Estratégia desde julho de 2026, após liderar as operações da Suzano na Ásia desde 2021, Machado também vê espaço para ampliar o consumo de tissue no Brasil por meio da evolução dos hábitos de higiene e limpeza, da inovação e da oferta de produtos de maior valor agregado.

A experiência de Mogi traduz parte dessa estratégia em resultados operacionais. Ao combinar eficiência industrial, desenvolvimento de produtos e conhecimento do consumidor, a Suzano busca fortalecer sua posição e ampliar as oportunidades de crescimento no mercado brasileiro de tissue.

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Sandra Nascimento

Sandra Nascimento é jornalista, pós-graduada em Comunicação Organizacional e desde 2022 escreve sobre os mercados de papel e celulose.
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