Copa do Mundo de Futebol: histórico acelerador de tendências no consumo de papel tissue
Por Rogério Berardi, diretor de papel, embalagem e tissue da Valmet na América Latina
Você deve estar pensando qual a ligação entre o setor de tissue e a Copa do Mundo de futebol. Quando falamos dos impactos econômicos da Copa, normalmente as atenções se voltam para o turismo, construção civil, hotelaria, transporte e serviços em geral. Mas existe um setor que também sente os efeitos positivos do maior campeonato de futebol do mundo: o mercado tissue.
Mas como? Grandes eventos esportivos proporcionam um aumento significativo da circulação de pessoas em aeroportos, hotéis, restaurantes, bares, centros de convenções e estádios de futebol. Todos esses ambientes são grandes consumidores de produtos tissue no segmento Away From Home (AFH). Consequentemente, mexem com o consumo e a produção de papéis tissue nos países sede, representando uma parcela relevante de crescimento temporário.
A experiência dos países que sediaram o torneio nas últimas décadas mostra que os maiores ganhos ocorrem em mercados emergentes. A razão é simples: esses países, normalmente, utilizam a Copa do Mundo como catalisador para investimentos em infraestrutura, modernização do varejo, expansão do setor de serviços e formalização da economia.
A Coreia do Sul, que sediou o evento em 2002, registrou crescimento acumulado de aproximadamente 32% no consumo per capita de tissue em relação ao período do evento. O Catar, anfitrião em 2022, apresenta expansão superior a 6%, enquanto a África do Sul mantém trajetória positiva, mesmo mais de 15 anos após a realização do torneio.
Estados Unidos, Canadá e Alemanha, países maduros nos níveis de consumo per capita de tissue, mostram que a elasticidade de crescimento em volume é limitada, e os ganhos tendem a ocorrer por meio da “premiunização” dos produtos e da melhoria do mix comercial. A Copa gera aumento de demanda, não necessariamente altera o patamar estrutural de consumo, mas pode fortalecer e até criar novos padrões de consumo.
Enquanto o consumo pode apresentar oscilações associadas ao evento, a produção segue uma trajetória muito mais planejada e previsível. O Brasil oferece um bom exemplo dessa dinâmica. Desde a realização da Copa de 2014, a capacidade produtiva e a produção nacional continuaram crescendo de forma consistente, acompanhando a evolução estrutural do mercado e não apenas os efeitos temporários.
Desde 2016 o México já vem apresentando aumento na capacidade, consumo e produção de tissue e, o fato de ser um dos países sede em 2026, pode contribuir com esse crescimento, de acordo com os dados da Fastmarkets BIG files (P&B Mar/26). A previsão até 2030 é uma média de aumento de 9%.
Dessa maneira, a Copa do Mundo de Futebol, considerada por muitos, o maior evento esportivo do mundo, não cria apenas consumidores por algumas semanas e, para fabricantes, fornecedores e investidores do setor, compreender essa dinâmica é essencial para ter sucesso também depois que o campeonato termina.

















