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Navigator estuda investir em fábrica de tissue na Espanha

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Depois de 200 milhões investidos para produzir tissue em duas unidades em Portugal, adquirir fábricas na Espanha deverá ser o próximo passo para companhia crescer no setor.

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A The Navigator está estudando o cenário de aquisições de fábricas de produção de papel ‘tissue’ na Espanha, em particular na Catalunha, numa estratégia de consolidação do grupo de Pedro Queiroz Pereira que se deverá concretizar no horizonte entre os próximos três e cinco anos.

O papel ‘tissue’ é uma das mais recentes apostas industriais do grupo de Pedro Queiroz Pereira e de Domingos da Silveira, depois da aquisição, em 2015, da unidade industrial da AMS em Vila Velha de Ródão, que, juntamente com o reforço da capacidade de produção da unidade, representou um investimento de 80 milhões de euros ao grupo.

Já em meados do ano passado, a The Navigator iniciou um projeto de investimento de cerca de 120 milhões de euros para criar uma nova linha de produção de papel ‘tissue’ na sua unidade industrial em Cacia.

O papel ‘tissue’ tem sido e prevê-se que continue a ser um dos motores da procura de celulose a nível global, evidenciando margens superiores às do negócio do papel e de celulose. O ‘tissue’ traduz-de, entre outros tipos de papel, por lenços de papel, toalhetes, papel higiênico, lenços de papel e papel de cozinha.

“A empresa encara o mercado ibérico de ‘tissue’ como relativamente restrito em termos de espaço para maior capacidade (a recente fraqueza do preço tem provavelmente a ver com isto), mas, na nossa opinião, apesar de tudo, atualmente, é o vetor de crescimento mais evidente do grupo a médio prazo. É um mercado fragmentado com uma maioria de operadores [‘players’] não integrados que, muito provavelmente, contém boas oportunidades de aquisição para um operador integrado como a Navigator”, sublinha um ‘research’ do BiG – Banco de Investimento Global, de 17 de outubro passado.

Este ‘research’, assinado pelo analista João Lampreia, explica ainda que, “em Portugal, além da Navigator, existem três outros produtores de ‘tissue’: Renova, Suavecel e Pampilar”.

“A Renova é uma fabricante diferenciada pela sua forte estratégia de ‘marketing’ e valorização da marca, com níveis baixos de dívida, o que a torna num alvo improvável. Mas, quer a Suavecel, quer a Pampilar, são pequenos produtores com níveis significativos de dívida que são susceptíveis de virem a ser adquiridos”, adianta a referida análise.

No entanto, este ‘research’ do BiG aponta as probabilidades de aquisições de grupos ibéricos produtores de ‘tissue’ para além da fronteira, na Espanha, aparentemente com base em informações bem sustentadas.
Até ao fecho da edição, não foi possível entrar em contato com a fonte oficial da The Navigator.

“Em vez de poderem ser potenciais alvos, as fabricantes portuguesas [de ‘tissue’] são demasiadas pequenas para representar uma oportunidade de crescimento relevante”, alerta a referida análise.

O analista João Lampreia entende que “é na Espanha que vemos espaço futuro para a Navigator expandir significativamente o seu segmento de ‘tissue’”.

“Isto é especialmente verdade para os [clientes não finais] consumidores de produtos ‘tissue’, que deverão basear-se mais próximos do consumidor devido às respetivas características, um produto considerável mas barato”, acrescenta o referido ‘research’ do BiG.

Esta análise avança que, “tendo isto sido dito, uma estratégia de longo prazo aconselhável para o segmento de ‘tissue’ da Navigator deverá passar pela expansão de capacidade de produção de bobinas na futura unidade integrada de Cacia – que deverá tornar-se um muito eficiente produtor de bobinas de ‘tissue’ – e adquirir capacidade existente em mercados mais afastados”.

João Lampreia adianta neste estudo que “existem vários produtores [de ‘tissue’] na Catalunha que poderão tornar-se alvos apetecíveis [para o grupo português] no médio prazo (três a cinco anos), devido à sua dimensão e à sua proximidade com França”.

Ainda segundo este ‘research’ do BiG, existem em Portugal dez unidades produtoras de ‘tissue’, duas das quais da The Navigator. Na Espanha, esse número dispara para 68 unidades produtoras. A grande maioria localizam-se mais perto da fronteira com França: 21 no País Basco, 14 na região de Saragoça, 11 na Comunidade Valenciana e 12 na Catalunha.

O atrativo da proximidade a França explica-se pela maior acessibilidade ao mercado francês, um dos mais relevantes no segmento do ‘tissue’, mas também ao resto de toda a Europa, com a diminuição de custos de transportes e logísticos daí decorrente.

A aquisição de um destes operadores por parte do grupo de Pedro Queiroz Pereira irá ainda dar mais dimensão e economias de escala à The Navigator, quando já tiver entrado em produção a nova unidade de ‘tissue’ em Cacia.

O ‘research’ do BiG destaca ainda que o investimento na produção de ‘tissue’ na fábrica da The Navigator “representa um passo significativo em direção à eficiência deste segmento, uma vez que será integrado com a produção de pasta de Cacia”.

“Este investimento em Cacia é particularmente oneroso (1,6 milhões de euros por cada tonelada adicional de produção de ‘tissue’), uma vez que obriga a construir todas as infraestruturas de raiz para a produção de ‘tissue’, mas posteriores aumentos de capacidade deverão ser muito mais baratos (cerca de 0,6 milhões de toneladas por cada tonelada de produção acrescentada), uma vez que serão construídos de uma forma modular”, defende esta análise.

Por isso, o estudo em causa entende que “este investimento [da The Navigator] em Cacia é um pequeno passo para os ganhos da companhia, mas um grande passo para o segmento de ‘tissue’” da empresa, pelo que um passo lógico posterior para a The Navigator será entrar, por via aquisitiva, no processo de concentração do setor a nível ibérico.

jornaleconomico.sapo.pt

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