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Hypermarcas consideram vender seu negócio de fraldas por 1 bilhão de reais

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Ao acertar a venda de seu negócio de fraldas à belga Ontex por R$ 1 bilhão, a Hypermarcas dá mais um passo para se concentrar somente no mercado de medicamentos.

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Após fazer dezenas de aquisições na tentativa de se tornar uma espécie de “Unilever brasileira” no fim da década passada, a companhia tomou, em 2011, a decisão de se desfazer dos segmentos de consumo ao perceber que sua operação de remédios – representada pelo laboratório NeoQuímica, atual vice-líder em faturamento no Brasil – era bem mais rentável.

A Hypermarcas divulgou fato relevante relatando que está em negociações com a companhia belga, que também confirmou as conversas. O negócio estaria fechado, faltando alguns detalhes para a assinatura do contrato, que pode ocorrer nos próximos dias. O principal conselheiro da Hypermarcas no negócio foi o Bank of America Merrill Lynch.

Segundo uma fonte de mercado, a negociação veio um pouco abaixo do que a empresa e o mercado esperavam, mas a operação é considerada saudável dentro da estratégia de longo prazo da Hypermarcas. O grupo vinha procurando um comprador para o negócio havia alguns anos.

No ano passado, a Hypermarcas teria chegado a negociações avançadas com a Kimberly Clark, dona da marca Huggies. O negócio acabou não saindo, por temores de que, por causa da forte participação da americana no segmento, o negócio pudesse enfrentar barreiras no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

Ao contrário da gigante Kimberly Clark, a Ontex é uma espécie de empresa “emergente” no mercado. A aquisição de R$ 1 bilhão é considerada um passo importante para a companhia, que no ano passado faturou cerca de US$ 1,7 bilhão (cerca de R$ 5,6 bilhões). Fundado em 1979, o grupo iniciou sua expansão internacional ao abrir uma fábrica na China, em 2006.

Diante da expectativa de crescimento expressivo de sua receita – já que a Hypermarcas tem receita de cerca de R$ 1,2 bilhão com fraldas, considerados dados de 2015 -, as ações da Ontex fecharam ontem em alta de 3,46%, cotadas a 27,04 euros. Já os papéis da Hypermarcas na BM&FBovespa, que chegaram a subir 4% pela manhã, acabaram encerrando o pregão em baixa de 1,51%, a R$ 24,21.

Classe C

Assim como ocorria com o restante de portfólio de perfumaria e beleza da Hypermarcas, as marcas de fraldas da empresa também eram mais fortes entre o público da classe C. A área de perfumaria da Hypermarcas foi vendida em bloco para a espanhola Coty, por R$ 3,8 bilhões, em novembro do ano passado. A venda à Coty incluiu uma fábrica de cosméticos localizada no município de Senador Canedo, em Goiás, que empregava 2,5 mil trabalhadores no ano passado, além de marcas como Bozzano, Monange, Paixão, Risqué e Cenoura & Bronze, entre outras. O negócio com a Coty foi considerado uma vitória para Hypermarcas, pois veio bem acima do que era esperado por analistas de mercado.

Uma fonte de mercado disse que, embora o valor não tenha sido considerado tão alto no caso das fraldas, a empresa conseguiu repetir a estratégia de forma eficiente: atraiu um grupo que queria entrar no mercado brasileiro para um ativo que estava no mercado havia tempo.

Estratégia

No portfólio da antiga Hypermarcas ainda resta um ativo à venda: o negócio de adoçantes, que inclui marcas relevantes, como ZeroCal, Adocyl e Finn. Ao focar na área de medicamentos – em especial genéricos e isentos de prescrição médica -, a empresa conseguiu crescer em faturamento mesmo com a crise. Nos primeiros nove meses do ano passado, a companhia faturou R$ 2,44 bilhões, alta de 11% em relação ao mesmo período do ano passado, em bases comparáveis.

istoedinheiro.com.br

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