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GERAÇÕES E O MERCADO DE TRABALHO

Escrito por Felipe Gonçalves

Tendo em vista que a evolução profissional depende individualmente de aprendizado e troca de experiências, o relacionamento entre pessoas de todas as gerações é fundamental para o êxito desta missão.

Antigamente costumava-se definir uma geração a cada vinte e cinco anos. Nos dias atuais, já não se aguarda todo esse tempo para se constituir uma nova classe genealógica. Os especialistas apontam o surgimento de uma nova geração apenas a cada dez anos.

Olhando para o potencial humano nas empresas, isto implica na convivência de pessoas de diferentes idades e costumes num mesmo ambiente de trabalho, conflitando experiências e gerando contendas em períodos de tempos cada vez menores.

BABY BOOMER

Após o fim da Segunda Guerra Mundial, surgiu uma geração que foi denominada “Baby Boomer”. Hoje, estas pessoas estão com mais de quarenta e cinco anos e se caracterizam por gostarem de emprego fixo e estável. Seus valores estão fortemente vinculados ao tempo de serviço, ser reconhecidos pela sua experiência e capacidade de inovação. Nos dias atuais, ocupam cargos de diretoria e gerência. Por estarem em posição de chefia, muitas vezes em cargos estratégicos, tendem a chocar-se contra as gerações mais jovens, por terem ideais conflitantes. É considerável o contraste de valores e comportamentos, originando problemas nos setores de recursos humanos e estratégicos das empresas, causando desafios em gerenciar conflitos e reverter diferenças em potenciais de atuação.

GERAÇÃO X

Na geração anterior houve um grande avanço da tecnologia, a qual proporcionou à Geração X o uso de seus recursos. Esta geração surgida nos anos 60 estendeu-se até o final dos anos 70, e conviveu com acontecimentos históricos para o país, como “Diretas já” e o final da ditadura.

Como característica profissional, esta geração se destaca pelas resistências às novidades, insegurança pelo risco da perda de emprego através de profissionais mais novos e portanto, com maior energia.

GERAÇÃO Y

Esta geração surgiu na década de 80 tendo como peculiaridade ter presenciado e convivido com os grandes avanços tecnológicos do século, além de mudar padrões tradicionais do mercado profissional. Nesse ambiente revolucionário, surge o indivíduo “multi-tarefas”, conseguindo navegar na internet, ouvir músicas, acessar e-mails e realizar outras tarefas ao mesmo tempo, sem atrapalhar seus afazeres profissionais. Também se caracterizou por uma busca constante de experiências novas e em ascender rapidamente na escala profissional.

Podemos ver nitidamente as grandes diferenças no perfil das gerações X e Y no tocante a sua parte comportamental. Na geração X predomina a tranqüilidade, estabilidade e equilíbrio, enquanto que na Geração Y prevalece o movimento e a inovação. Tais diferenciais geram certas dificuldades no ambiente de trabalho ocupado ao mesmo tempo por profissionais dessas duas gerações.

Por essa diversidade de perfis, as empresas tendem a dar mais preferência aos profissionais mais capacitados e competentes do que ao seu tempo de experiência.

GERAÇÃO Z

A Geração Z é nominada aos nascidos na década de 90 e tem como principal característica, comportamento excêntrico, individualista e muitas vezes antisocial. Tem por principal vivência em todas as áreas, a conexão com a internet, fazendo desta sua principal ferramenta de comunicação.  São imediatistas e sem muita paciência em orientar os mais velhos no uso de ferramentas tecnológicas. Essa falta de tolerância e respeito podem se tornar problemas sérios no mercado de trabalho, onde é requerida habilidade no relacionamento e principalmente no trabalho em equipe.

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GERAÇÕES VERSUS MERCADO DE TRABALHO

Qualquer que seja o ramo da empresa com fins lucrativos, esta tem por objetivo principal, como seu próprio nome diz, a rentabilidade e o lucro. Isto estabelece o emprego de mão de obra envolvida nesse objetivo, de qualificação, empenho e resultado. Para atender a estes requisitos, é essencial a colaboração e o trabalho em equipe. Por mais competente que um profissional possa ser, este não consegue ter ou exercer todas as competências necessárias para atender a execução dos mais diversos serviços, do atendimento e comercialização até a produção e entrega, sem contar outras áreas, como legal e fiscal.

Tendo em conta que a evolução profissional depende individualmente de aprendizado e troca de experiências, o relacionamento entre pessoas de todas as gerações é fundamental para o êxito desta missão.

Uma geração tende a ser orientada pelas gerações anteriores. Essa transferência de conhecimento pode ser traumática quando a nova geração tiver características comportamentais díspares das pessoas de gerações anteriores envolvidas nesse processo. O bom senso, equilíbrio e serenidade devem predominar o mais experiente, que conhecendo os atributos e características dessa nova geração, consiga transmitir conhecimento e experiências, além de, a si próprios, se renovarem técnica e relacionalmente.

Já as gerações mais novas precisam atingir o equilíbrio através da postura e sobriedade dos mais velhos. Estes têm aprimoradas suas capacitações em pensamento estratégico e tomada de decisões. A agressividade dos jovens, equilibrada pelo conhecimento e prática dos mais experientes, pode proporcionar inovação constante, minimizando os prejuízos decorrentes de atitudes agressivas sem estratégias disciplinadoras.

Isto já pode ser visto em muitos executivos da geração Baby Boomer, que necessitando recorrer ao crescente volume disponível de informações em todas as áreas, apesar de terem sua formação com características diferentes, começam a delinear um perfil diferente de comportamento, adequando-se à realidade das novas gerações, que vieram para ficar. Ou se adéquam ou são preteridos.

O desafio das empresas é se apresentar como capaz de conciliar as características dos profissionais de diferentes gerações num mesmo ambiente de trabalho, obtendo o melhor de cada profissional e equilibrando o potencial individual com o êxito coletivo.

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Sobre o Autor

Felipe Gonçalves

Engenheiro Químico / Leader and Professional Coach
Mestre em Engenharia de Produção
MBA em Supply Chain
Professor de Pós Graduação na Escola de Negócios Trevisan, Universidade São Francisco e Faculdades Atibaia.
EXPERIÊNCIA PROFISSIONAL NAS EMPRESAS:
SANTHER, KIMBERLY-CLARK, HYPERMARCAS E NATURA.