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Fibria anuncia venda de 210 mil hectares de área florestal

Floresta EUCALIPDuzentos de dez mil hectares de terras antes pertencente à empresa Fibria agora são de propriedade do grupo de investidores Parkia Participações S.A. O contrato de venda, segundo a empresa que possui uma fábrica de celulose em Três Lagoas, foi celebrado na última sexta-feira, operação cujo valor foi de R$ 1,65 bilhão.

Em conferência realizada na tarde de ontem a jornalistas de Mato Grosso do Sul, o diretor de Novos Negócios da Fibria, Vinicius Nonino, informou que o processo de venda faz parte de uma ação de otimização do processo de produção da empresa. O objetivo, segundo Meta de Longo Prazo da Fibria, é de, até 2025, aumentar a capacidade de produção das unidades da Fibriade 10 toneladas de celulose/hectare/ano, em 2011, para 15 toneladas/hectare/ano, em 2025. Em contrapartida, reduzir um terço da área florestal.
Além disso, com o recurso proveniente da operação, a empresa poderá sanar dívidas e viabilizar possíveis projetos de expansão da empresa.O diretor informou que a Fibria, com a operação, visa “realizar um desinvestimento de terra e não de produção. As florestas continuarão sendo da Fibria”, destacou.
Conforme informações da Fibria, dos 210 hectares de terras vendidos, 57 mil são de Mato Grosso do Sul – em Três Lagoas e parte da região do Bolsão -, 25 mil hectares são em São Paulo, na região próxima à unidade de Jacareí; 54 mil hectares no Espírito Santos e 75 mil hectares na Bahia.
O preço médio do contrato é de R$ 7,8 mil por hectare de terra. Entretanto, a Fibria informou que não há como estimar o valor por região, já que este preço varia de acordo com o local, tamanho de floresta plantada e condições climáticas, entre outros fatores.
A primeira parcela, de R$ 1,4 bilhão, será paga até 30 de dezembro desse ano. Já os R$ 250 milhões restantes poderão ser pagos em três prestações ao longo de 21 anos.
 
PARCERIA
Paralelamente ao contrato de venda, Fibria e Parkia Participações irão celebrar outro contrato, dessa vez de parceria rural e florestal por um período de 24 anos. Por essa parceria, que deve ser iniciada a partir de janeiro do ano que vem, 40% da produção florestal das áreas vendidas serão pagamentos para este grupo de investidores, à título de aluguel. Entretanto, a companhia continua operar suas florestas nas áreas vendidas. “A venda de terras significa a alienação dos ativos, mas não a transferência das atividades relacionadas à gestão da floresta, como manejo, licenças e certificações”, declarou a Fibria em nota oficial emitida ontem.
Além disso, o diretor explicou que,dos 40% repassados à Parkia, a Fibria[que permanecerá com a maioria da produção, 60%] tem direito de comprar essa madeira de volta, com valores pré-definidos.
Vinicius Nonino completa: “O principal benefício é diminuir a dívida da empresa, preparar para crescer, quedas nos pagamentos de taxas de mercado”.
A Parkia participações é uma subsidiária de uma joint venture controlada por investidores brasileiros, que conta também com recursos de investidores qualificados por meio de um Fundo de Investimento em Participações (FIP).
EXPANSÃO
O contrato, informou o diretor da Fibria, também visa garantir o projeto de expansão da Fibria. No caso, da fábrica de celulose de Três Lagoas, cuja instalação da segunda linha de produção estava prevista para este ano, mas foi adiada por conta do mercado atual.
Conforme a empresa, o conselho da companhia já deliberou que se faça um estudo de investimentos no município. Caso a conclusão desse relatório seja positiva, a segunda linha poderá estar produzindo a partir de 2016.
Atualmente, a Fibria conta com uma área florestal de 347,4 mil hectares em Mato Grosso do Sul. Desse total, 100 mil hectares são áreas de preservação ambiental permanente.