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Em 2017, celulose de fibra curta passou por 11 reajustes

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Os preços internacionais da celulose de fibra curta surpreenderam até mesmo os mais otimistas em 2017.

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A aceleração das compras na China e a ruptura de oferta muito acima da média histórica garantiram aos produtores margem para aplicação mensal de reajustes, com exceção de agosto. Foram 11 aumentos em 12 meses, que levaram as cotações de referência a valores há algum tempo não vistos pela indústria.

O ambiente positivo também permitiu que o setor reduzisse os descontos concedidos sobre preços de referência, que em determinados contratos chegaram perto de 30%. Os produtores não revelam os níveis de descontos praticados, mas indicaram que a redução proposta para os contratos em vigor de janeiro em diante é de dois a quatro pontos percentuais.

O mais recente reajuste, de US$ 30, válido a partir de 1º de dezembro para todas as regiões, elevou a US$ 1 mil a tonelada o valor da matéria-prima no mercado europeu. Na América do Norte, a cotação de referência subiu a US$ 1.190 a tonelada e na China, a US$ 820. Desde janeiro, a alta acumulada foi de US$ 340 a tonelada no mercado europeu, de US$ 350 na América do Norte e de US$ 270 na Ásia. O menor ritmo de valorização na China, neste ano, é explicado pelo fato de a recuperação dos preços naquele mercado ter começado ainda em 2016, antes de as demais regiões reagirem.

A evolução dos preços medida pela consultoria Foex, referência mundial para a indústria, reflete os aumentos aplicados e os valores até meados deste mês, especialmente na Europa, já estavam próximos à referência: US$ 764,4 a tonelada na China e US$ 977,17 a tonelada na Europa.

2017

Para os produtores, 2018 deve ser um ano marcado no mínimo pela estabilidade dos preços. Mas, diante da escalada de 2017, há quem veja risco de correção nos primeiros meses de 2018. Em linhas gerais, o tom pessimista de algumas instituições financeiras foi amenizado e parte dos analistas revisou para cima as projeções para o preço médio no ano. Porém, a tradicional desaceleração das compras com a proximidade do Ano Novo Chinês, em um ambiente de aumento de oferta, sustenta algumas previsões de baixa.

Em relatório do fim de novembro, analistas do Santander afirmaram que a ciclicidade deve se impor em 2018, resultando em correção de preços decorrente da chegada de volumes adicionais da matéria-prima. Para a média do ano, porém, o banco espera cotação acima da registrada em 2017.

“Acreditamos que o primeiro trimestre deve desencadear essa correção devido à sazonalidade desfavorável, à aceleração do projeto Horizonte 2 da Fibria e da fábrica OKI, da APP, e à retomada da linha 2 de Guaíba da CMPC”, escreveram os analistas Renato Maruichi, Pedro Miguel Pereira e Nicolas Schild.

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Para o Santander, enquanto a demanda adicional deve girar em torno de 1,35 milhão de toneladas em 2018, a oferta adicional deve somar 2,88 milhões de toneladas. Esse volume leva em conta quase 1,4 milhão de toneladas a mais da Fibria, 400 mil da CMPC, 500 mil da Metsa, uma estimativa “conservadora” de 500 mil da OKI e 100 mil oriundas do desgargalamento (aumento de produtividade) da Suzano em Imperatriz (MA).

Além desse descompasso, os analistas do banco acreditam que pode haver migração da celulose de fibra curta para a fibra longa diante da valorização mais forte da primeira. No ano, a fibra curta subiu 45%, enquanto a longa mostra ganho de 15%, o que faz com que o spread relativo entre os dois tipos de matéria-prima favoreça um movimento de substituição.

Na visão do UBS, o pico de preços da celulose neste ano é sustentado pela incomum ruptura na oferta, 360% maior do que o habitual. “Com a normalização da produção, o crescimento da oferta tende a superar a demanda em 2,6 vezes no ano que vem”, escreveram os analistas Andreas Bokkenheuser e Marcio Farid, em relatório de dezembro. Nesse cenário, o banco projeta correção de 30% nos preços da celulose de fibra curta em 2018.

A demanda por fibra virgem, prossegue o UBS, poderá crescer até 2,1 milhões de toneladas no próximo ano, no rastro da substituição das importações de papel reciclado na China. Diante disso, a sobreoferta de matéria-prima poderá ficar entre 500 mil e 2,6 milhões de toneladas.

Valor Econômico

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