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CMPC pretende investir em uma nova unidade no Rio Grande do Sul

Projetos deste porte podem levar anos, ou seja, são investimentos a longo prazo

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Diretor-presidente da CMPC disse que o grupo quer implantar nova unidade e no sul do Estado

 

O diretor-presidente da chilena CMPC, dona do complexo de celulose em Guaíba, Hernán Rodríguez Wilson, lembrou ontem, em Porto Alegre, que no dia 15 a companhia completou oito anos da aquisição da planta gaúcha, arrematada da Fibria em 2009, no término do primeiro ano da crise financeira que abalou o mundo após setembro de 2008. E ainda avisou: “Nos sentimos mais que brasileiros para seguir crescendo, nos sentimos parte da comunidade gaúcha”.

A senha foi dada, e com mais precisão impossível. Fazer parte significa ter os interesses da companhia conectados com a base local, que inclui planos de expandir, com a implantação de uma nova unidade no Rio Grande do Sul. O CEO deixou claro que o grupo tem limitações de áreas e até perfil de plantas já instaladas para crescer no Chile. Também descartou aportes no Uruguai ou na Argentina.

O interesse foi confirmado por Wilson, que condicionou os planos à remoção de um problema que ronda a CMPC e outros grupos internacionais. Um parecer de 2010 da Advocacia-Geral da União (AGU) veta a compra de áreas por estrangeiros, o que teria paralisado decisões de mais de R$ 60 bilhões em aportes nos anos recentes de diversas nacionalidades. “O interesse obviamente é no Rio Grande do Sul e na Zona Sul”, afirmou o CEO. Para poder instalar um novo empreendimento, a empresa precisa da base florestal, sentada em eucaliptos. A produção de processamento seria de mais de 1 milhão de toneladas de celulose ao ano, em novo projeto. “Hoje, está freada (a planta) pela limitação de empresas internacionais em comprar terras”, reforçou o executivo.

Wilson observou que qualquer decisão do grupo de capital aberto, mesmo com eventual acordo que mude a regra de aquisição das áreas no Brasil, não sairá antes de 2021. Projetos como estes levam sete a nove anos, que é o período de crescimento e maturação das florestas. Ou seja, são investimentos para começar a produzir em 2028. A companhia não tem acompanhado tratativas no governo federal, garantiu o CEO, nem sabe se elas estão ocorrendo. No começo do ano, integrantes de entidades chilenas chegaram a se reunir com membros do governo federal em busca de solução.

O ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, e até o titular da pasta da Fazenda, Henrique Meirelles, chegaram a dar prazos, de um mês, para resolver a demanda em janeiro deste ano. Tudo indicava que haveria mudança no parecer. Mas nada acabou se concretizando. O CEO observou que as unidades brasileiras, que incluem a de Guaíba, outras em diversas regiões e pertencentes a outros grupos de celulose, estão entre as mais eficientes no mundo. O fator de crescimento da base de eucalipto é o que mais pesa, e ainda a produtividade, que pode resultar em preços mais atrativos para ganhar mercado. Em regiões da Europa, onde estão os complexos mais antigos, a base leva mais de 40 anos para completar o ciclo de colheita.

Um projeto adequado, para ser competitivo, deve ter garantidos ao menos 170 mil hectares de florestas de eucalipto plantada, citou o diretor-presidente da CMPC. Considerando que há sempre um percentual de reserva ambiental, o ativo em terras teria de ser superior a 200 mil hectares. Os chilenos também observaram que não há interesse em ampliar ou formar base com parceiros, quando um produtor planta e vende a madeira.

Também não há negociação com a sueco-finlandesa Stora Enso para qualquer acordo em relação a áreas que ela tem com produtores na região da Campanha e que se destinavam a uma planta que chegou a ser anunciada, mas foi abandonada com o impasse da compra de área.

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Planta 2, em Guaíba, não teve processamento de agosto a novembro

Planta 2, em Guaíba, não teve processamento de agosto a novembro

 

O complexo de Guaíba, que foi quadruplicado a partir de 2015, envolvendo R$ 5 bilhões – o maior investimento privado desde a implantação do polo petroquímico, na década de 1970, no Estado -, tem sua base no limite. Para dar conta da matéria-prima demandada para produzir 1,8 milhão de toneladas ao ano na unidade, a CMPC formou contrato com a Fibria para comprar a base de 100 mil hectares, sendo 39 mil produtivos, o antigo projeto Losango, que também abasteceria uma nova planta de celulose, que foi anunciada para a região de Rio Grande, mas acabou sendo cancelada devido à revisão de planos da Fibria.

Em 2017, a planta de Guaíba enfrentou parada fora dos planos, devido a falhas na caldeira da unidade 2. De agosto a novembro, não houve processamento, mantendo apenas a 1, que tem capacidade de 450 mil toneladas ao ano. Os problemas começaram a ser detectados no final de 2016, diz o diretor-presidente da Celulose Riograndense, Walter Lídio Nunes. O problema envolvia vazamento de água. A caldeira foi trocada, com envio de peças da Europa.

Agora, a empresa discute a cobertura do seguro. A seguradora Mapfre alega que a apólice não cobriria o defeito. A CMPC está discutindo e busca uma solução. “A posição é que sim, inclui, e nossa equipe jurídica está discutindo”, disse Wilson. O impasse pode ir para a Justiça. As perdas em 2017 somam mais de US$ 200 milhões devido à parada. Mais de 90% da produção é exportada. Nunes diz que a produção de 1,8 milhão de toneladas deve ser alcançada no fim de 2018.

jcrs.uol.com.br

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