Celulose Notícias

CMPC busca atingir capacidade plena em sua unidade de Guaíba em 2018

cmpc1

O diretor-presidente do grupo CMPC, Hernán Rodriguez Wilson, disse que a fábrica de celulose do grupo chileno em Guaíba (RS) vai encerrar o ano com uma produção em torno de 1,1 milhão de toneladas. O volume, bem inferior à capacidade de quase 1,8 milhão de toneladas anuais, deve-se à paralisação da unidade durante cinco meses, até o início novembro, em função de problemas na caldeira de recuperação da linha dois, inaugurada em 2015.

CMPC

Para 2018, o executivo prevê a produção plena de 1,8 milhão de toneladas em Guaíba, que responde por 43% da capacidade total do grupo chileno, de 4,1 milhões de toneladas por ano. “Esperamos que [o incidente] nunca se repita”, disse Wilson.

Segundo o executivo, a empresa deixou de vender cerca de 600 mil toneladas de celulose de eucalipto de fibra curta com a paralisação da linha, o que provocou uma perda de mais de US$ 300 milhões em receitas. Considerando apenas as margens de comercialização, a perda foi da ordem de US$ 200 milhões, incluindo US$ 60 milhões em reparos da caldeira.

Na época da parada, a CMPC informou que o prejuízo seria coberto por apólices de seguro, mas em setembro a seguradora Mapfre informou à empresa que o sinistro não está contemplado no contrato. Conforme Wilson, a companhia já iniciou as “ações legais” necessárias para reaver a cobertura.

tmc

Nova fábrica

O diretor-presidente informou também que a empresa tem interesse em construir uma segunda fábrica de celulose no Brasil, mas condicionou o projeto à revisão da lei que impede a aquisição de terras por estrangeiros no país. De acordo com ele, a companhia precisaria de 140 mil a 150 mil hectares de florestas plantadas para erguer uma nova unidade industrial nos padrões atuais de 1,9 milhão a 2 milhões de toneladas por ano.

Isto significa, conforme o executivo, que a empresa necessita comprar cerca de 300 mil hectares de terras, levando em conta as áreas de reserva legal, que não podem ser exploradas. A preferência da CMPC, que tem uma unidade em Guaíba, na região metropolitana de Porto Alegre, é pela instalação da nova fábrica no sul do Rio Grande do Sul, perto da cidade de Pelotas, mas Wilson admite que outras regiões do Brasil podem ser analisadas.

Mesmo com a revisão da lei de terras, no entanto, a implantação de uma nova fábrica só ocorreria no longo prazo, depois do amadurecimento da nova base florestal, que leva de oito a dez anos, acrescentou o diretor-presidente. Segundo ele, que concedeu entrevista em Porto Alegre, o governo brasileiro demonstra “boas intenções” de facilitar a compra de terras por estrangeiros há bastante tempo, mas sem uma decisão até agora.

De acordo com Wilson, não há condições de ampliar novamente a fábrica de Guaíba, que em 2015 teve a capacidade aumentada de 450 mil para cerca de 1,8 milhão de toneladas por ano com a instalação da segunda linha de produção. A empresa também já conta com uma importante massa florestal em Pelotas, adquirida em 2009 da Aracruz no processo de compra da unidade de Guaíba.

A base florestal da CMPC soma 324 mil hectares no Rio Grande do Sul, dos quais 170 mil efetivamente plantados com eucalipto. O restante corresponde às reservas legais. Das áreas plantadas, 145 mil a 150 mil hectares pertencem à própria companhia e o restante, a terceiros.

valor.com.br

Comente com Facebook

Comentários